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Página 1 de 2 Da Maré. Esta canção ilustra de certa maneira alguns aspectos da proposta pedagógica do Espaço Musical. Em 1976, eu havia começado a organizar um repertório com canções que meus alunos pudessem reconhecer e cantar de memória. A idéia era pedir que eles escrevessem essas canções em casa para diminuir o tempo de aula gasto com as tradicionais atividades de ditado e tornar essa prática mais vinculada às manifestações musicais que os motivavam a estudar música. Aos poucos fui estabelecendo critérios para ordenar esse repertório em função das dificuldades de percepção e escrita musical. Dez anos depois, com as modificações que fui introduzindo na proposta, passei a necessitar de melodias que, como Asa Branca, utilizassem apenas as notas do pentacórdio (as cinco primeiras notas de escalas com sete notas) e que tivessem determinadas características do ponto de vista rítmico e melódico. Por não conseguir encontrá-las, resolvi compor. Depois de ter feito as melodias de Nos. 1 a 8 com ritmos que utilizavam subdivisões binárias do pulso básico, resolvi compor a Melodia Número Zero.
Por não conter subdivisões, o aluno só precisaria perceber a ocorrência de som ou silêncio em cada pulso e escrever o ritmo da melodia utilizando apenas a semínima e a pausa de semínima. Além disso, essa melodia, de fácil memorização, continha apenas graus conjuntos do pentacórdio maior, sem repetições sucessivas de alturas. Portanto, em qualquer ponto do perfil melódico, existiam no máximo duas alternativas de altura para a nota seguinte: um grau acima ou um grau abaixo. Para escrevê-la, bastaria ao aluno qualificar o sentido do movimento melódico - ascendente ou descendente - sem a necessidade de quantificá-lo. E, por tratar-se de uma melodia circular que terminava em suspensão, ela ainda favorecia uma primeira aproximação com mais um conteúdo da linguagem musical: o conceito de tônica.
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